Lipedema

Doença crônica é caracterizada pelo acúmulo anormal e doloroso de gordura, especialmente nas pernas.

O lipedema é uma doença crônica que se caracteriza pelo acúmulo anormal de gordura principalmente no quadril, coxas, joelhos e pernas, mas que também pode afetar os braços, glúteos e outras regiões do corpo. Na maioria dos casos, esse acúmulo vem acompanhado de dor, edema local e aumento da sensibilidade ao toque.

Essas características tornam o lipedema uma condição não apenas estética, mas também clínica, capaz de impactar de forma expressiva a qualidade de vida da pessoa. A combinação entre dor, peso nos membros inferiores e alterações visuais costuma gerar desconforto físico e emocional, especialmente quando há demora no estabelecimento do diagnóstico.

Mais comum em mulheres, estima-se que até 12% das brasileiras possam ter lipedema em algum grau e em algum momento de suas vidas. Esses dados demonstram uma prevalência bastante expressiva, o que reforça a importância do diagnóstico correto e precoce da doença.

Diferenças entre lipedema e obesidade

Por ser visualmente percebido como um acúmulo bilateral e simétrico de gordura, o lipedema é comumente confundido com a obesidade. Entretanto, as duas condições são diferentes e podem ocorrer de maneira independente uma da outra.

No lipedema, o acúmulo de gordura costuma ser perceptivelmente desproporcional e, por ser de origem inflamatória, não responde adequadamente a dieta e exercícios físicos. Além disso, é comumente doloroso e apresenta alta sensibilidade ao toque.

Já na obesidade, o acúmulo de gordura ocorre de maneira mais uniforme, distribuído por todo o corpo. Nesse caso, a gordura tende a responder a mudanças de hábitos alimentares, exercícios e outros tratamentos. Além disso, a obesidade não causa dor localizada e associada ao tecido adiposo em si.

É importante destacar que uma pessoa pode apresentar lipedema e obesidade simultaneamente. Nessas situações, o diagnóstico deve ser feito com ainda mais cautela, e o tratamento precisa ser multidisciplinar, abordando ambas as condições.

O que causa o lipedema?

As causas exatas do lipedema ainda não são totalmente conhecidas, mas acredita-se que alterações hormonais e fatores genéticos estejam entre os principais desencadeadores da condição.

Alterações na produção de hormônios como o estrogênio e a progesterona estão comumente associadas ao lipedema. Por isso, a condição é mais prevalente em mulheres e costuma surgir ou se agravar em fases de mudanças hormonais significativas, como a puberdade, a gravidez, após o parto e a menopausa.

Além disso, o uso de anticoncepcionais orais também pode estar relacionado ao aparecimento ou à piora dos sintomas, devido à interferência desse tipo de medicamento na regulação hormonal.

Como mencionado anteriormente, o histórico familiar também é um fator importante a ser considerado. Em geral, mulheres com parentes de primeiro grau que apresentam lipedema têm maior predisposição genética a desenvolver a condição.

Sintomas do lipedema

Os sintomas físicos mais comuns do lipedema são:

  • Aumento desproporcional e bilateral de gordura nas coxas e pernas, e menos comumente nos glúteos e braços;
  • Inchaço local e sensação de peso nas pernas;
  • Aumento da sensibilidade ao toque;
  • Desconforto ao usar vários tipos de roupa, especialmente as mais justas;
  • Flacidez e irregularidades na textura da pele;
  • Dificuldade para caminhar, principalmente em estágios mais avançados;
  • Formação de pequenos vasinhos e hematomas;
  • Presença de nódulos e ondulações perceptíveis.

Além disso, o lipedema também pode causar impactos emocionais significativos por causa das alterações corporais e da dificuldade de resposta aos esforços que buscam o emagrecimento. Nesse sentido, pode ocorrer baixa autoestima, aumento da ansiedade, sintomas depressivos e isolamento social, além de distúrbios alimentares decorrentes da frustração e da percepção distorcida do corpo.

Possíveis complicações do lipedema

Quando não tratado adequadamente, o lipedema pode levar a uma série de complicações. Os próprios sintomas característicos da doença, como a dor e o edema, podem se tornar cada vez mais intensos e de difícil controle com o passar do tempo.

O lipedema também é um fator de risco para o desenvolvimento de outras doenças, tais como o linfedema (caracterizado pelo acúmulo anormal de líquido linfático), doenças das articulações, como a artrite e a artrose, e comprometimentos vasculares, como formação de hematomas, varizes e insuficiência venosa.

Vale mencionar também que pessoas que convivem com o lipedema têm maior predisposição ao desenvolvimento de infecções na pele e nos tecidos moles adjacentes, incluindo celulites infecciosas que podem ser potencialmente graves.

Por fim, é importante considerarmos o impacto emocional como uma possível complicação importante do lipedema, principalmente quando sintomas associados a ansiedade e depressão se tornam muito graves e tão debilitantes quanto os sintomas físicos.

Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico do lipedema costuma ser feito a partir de uma análise dos sintomas e do histórico médico da paciente, associada a exames físicos para identificar os sinais mais evidentes da doença. Assim, o médico avalia a distribuição da gordura, a presença de dor e sensibilidade e o grau de edema.

Além disso, podem ser realizados exames complementares com o intuito de confirmar a presença da condição e entender seu nível de gravidade, tais como a ultrassonografia, a densitometria de corpo inteiro e a ressonância magnética.

O diagnóstico precisa ser muito cuidadoso, principalmente em relação aos sinais visíveis e sintomas associados, para evitar que a doença seja confundida com a obesidade ou outras condições caracterizadas pelo acúmulo de gordura, como a celulite estética.

Reconhecer o lipedema de forma precoce é fundamental para evitar a ocorrência de complicações e problemas para a qualidade de vida da paciente, pois permite que o tratamento seja iniciado o quanto antes.

Como é o tratamento do lipedema?

O lipedema não tem cura definitiva, mas há diversas abordagens de tratamento eficazes no controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida da paciente. Entre essas abordagens, podemos mencionar:

  • Terapias com meias de compressão para melhorar a circulação e diminuir o inchaço;
  • Drenagem linfática manual para aliviar o inchaço e a sensação de peso nas pernas;
  • Mudanças no estilo de vida, com foco em alimentação anti-inflamatória, atividade física regular, controle do estresse e sono adequado;
  • Acompanhamento psicológico para lidar com os impactos emocionais da doença.

Nos casos em que as medidas conservadoras não trazem melhora significativa dos sintomas ou quando há grande comprometimento estético, o tratamento precisa ser cirúrgico.

A cirurgia mais realizada é a lipoaspiração específica para lipedema, realizada com técnicas que preservam o sistema linfático e removem o excesso de gordura de maneira segura.

Assim como os outros tratamentos, a cirurgia não representa uma cura definitiva para o lipedema, mas é capaz de proporcionar um alívio significativo dos sintomas, além de melhorar de forma bastante eficaz a qualidade de vida da paciente. Isso ocorre principalmente se, depois do procedimento, ela mantiver cuidados que busquem prevenir novas complicações.

Qual médico trata o lipedema?

O lipedema é uma condição complexa que precisa de uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir profissionais de áreas como a endocrinologia, a ginecologia, a nutrição, a cirurgia vascular e a saúde mental. Já nos casos em que há necessidade de tratamento cirúrgico, o cirurgião plástico é o profissional que deve realizá-lo.

Lipedema

O Dr. Jefferson Vaz de Oliveira é cirurgião plástico com alta expertise e formação em procedimentos como a lipoaspiração realizada como parte do tratamento do lipedema.

Se você apresenta sintomas compatíveis com o lipedema, agende uma avaliação para que possa ser feito um diagnóstico preciso e conhecer as opções de tratamento mais adequadas ao seu caso.

Fontes:

Associação Brasileira de Lipedema – ABL

Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – SBACV

Jornal Vascular Brasileiro

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – SBCP

National Institutes of Health – NIH